Escolher o pneu certo para uma mountain bike pode mudar completamente o comportamento da bicicleta nas trilhas. Grip, tração, estabilidade e velocidade de rolagem são características que precisam ser equilibradas de acordo com o terreno e o objetivo do ciclista.

Foi justamente para testar uma nova combinação que resolvi mudar o setup de pneus da minha Scott Spark.

Depois de aproximadamente dois anos utilizando Maxxis Recon Race 2.4, chegou a hora de experimentar uma configuração diferente: Vittoria Barzo XC Race 2.4 na dianteira e Vittoria Mezcal XC Race 2.4 na traseira.

A ideia era simples: utilizar um pneu mais agressivo na frente para aumentar o grip e um pneu mais rolado atrás para buscar eficiência e velocidade.

E, para descobrir como essa combinação realmente se comportaria, levei a bicicleta para uma trilha bastante técnica, com areia, pedras, descidas e trechos que exigem bastante controle da bicicleta.


Qual é o novo setup de pneus da Scott Spark?

A configuração escolhida para o teste foi:

PosiçãoPneuMedidaCaracterística buscada
DianteiraVittoria Barzo XC Race2.4Grip e estabilidade
TraseiraVittoria Mezcal XC Race2.4Rolagem e velocidade

A largura foi mantida em 2.4″, mesma medida que já era utilizada anteriormente com os Maxxis Recon Race.

A principal mudança, portanto, não foi a largura do pneu, mas o desenho e a proposta de cada modelo.


Por que escolher Barzo na dianteira e Mezcal na traseira?

A lógica por trás desse setup é relativamente simples.

Na roda dianteira, a prioridade é ter controle e grip.

Na traseira, o objetivo é conseguir uma boa combinação entre tração e velocidade de rolagem.

Por isso, a escolha foi colocar o Barzo na frente e o Mezcal atrás.

Durante o vídeo, essa configuração foi testada justamente em terrenos onde essas características poderiam ser percebidas com maior facilidade.


Vittoria Barzo XC Race 2.4 na dianteira

O Vittoria Barzo XC Race 2.4 foi escolhido para a roda dianteira.

Visualmente, ele apresenta uma configuração de cravos que transmite uma proposta mais voltada para grip em comparação com o pneu traseiro escolhido.

A ideia era utilizar o Barzo para aumentar a segurança da dianteira principalmente em terrenos de baixa consistência, como areia e terra fofa.

E foi exatamente nesse tipo de terreno que a primeira diferença apareceu.


Como o Barzo se comportou na areia?

O primeiro teste foi realizado em um trecho de areia.

A percepção durante o pedal foi bastante positiva.

Mesmo com a roda dianteira entrando em um terreno onde a bicicleta tende a perder estabilidade, o pneu conseguiu manter a frente da bike mais controlada.

A sensação relatada durante o teste foi de que a dianteira não escapava com facilidade para os lados.

Isso é particularmente importante porque perder a frente em um trecho de areia pode resultar rapidamente em uma queda.

Mais cravo significa mais controle?

No contexto específico desse teste, a percepção foi justamente essa.

O desenho mais agressivo do pneu dianteiro proporcionou uma sensação de maior segurança nos trechos de areia.

Quando a roda afundava no terreno, os cravos ajudavam a manter o contato e o controle da dianteira.

Isso não significa que um pneu mais cravudo será sempre a melhor opção para qualquer terreno.

O comportamento de um pneu depende de vários fatores, incluindo:

  • Tipo de solo;
  • Pressão utilizada;
  • Peso do ciclista;
  • Largura do pneu;
  • Desenho dos cravos;
  • Condições de umidade;
  • Estilo de pilotagem.

Mas, naquele teste específico, o Barzo apresentou um comportamento bastante positivo.


Vittoria Mezcal XC Race 2.4 na traseira

Na roda traseira, a escolha foi o Vittoria Mezcal XC Race 2.4.

A proposta era utilizar um pneu com maior facilidade de rolagem na traseira.

Em uma configuração voltada para XC e XCM, essa característica pode ser interessante porque a roda traseira é responsável por transmitir boa parte da força aplicada pelos pedais ao terreno.

Por isso, a ideia foi combinar:

Barzo na frente = controle e grip

Mezcal atrás = rolagem e velocidade


Testando os pneus Vittoria em uma trilha técnica

Para fazer o teste de maneira mais realista, não bastava simplesmente andar no asfalto.

A bicicleta foi levada para a Trilha do Sofazinho, um percurso com características bastante técnicas.

O terreno escolhido permitiu testar diferentes situações:

  • Areia;
  • Terra fofa;
  • Pedras;
  • Pedras pontudas;
  • Subidas;
  • Descidas;
  • Trechos técnicos;
  • Mudanças de terreno.

Esse tipo de trilha é interessante para avaliar um setup de pneus porque permite perceber rapidamente as diferenças de comportamento.


Teste na areia: ponto positivo para o Barzo

Nos primeiros trechos de areia, o pneu dianteiro foi colocado à prova.

A bicicleta entrou em uma região onde a roda afundava no terreno.

Mesmo assim, a percepção foi de que a frente permaneceu bastante estável.

O Barzo mostrou bom grip e ajudou a manter a trajetória.

Essa foi uma das principais diferenças percebidas em relação ao comportamento esperado de um pneu mais voltado para rolagem.

Para quem costuma enfrentar trechos de areia ou terrenos mais soltos, ter um pneu dianteiro com maior capacidade de grip pode trazer uma sensação importante de segurança.


E nas subidas?

Depois dos trechos de areia, o teste continuou pelas subidas da trilha.

Nesse momento, o pneu traseiro passou a ser bastante importante.

A função do Mezcal era proporcionar tração suficiente sem comprometer a velocidade de rolagem.

A percepção durante o treino foi positiva.

O conjunto conseguiu entregar uma boa combinação entre tração e rolagem.


Teste de descida: pedras e trechos técnicos

Depois das subidas, chegou a hora de colocar os pneus em uma das situações mais exigentes: a descida técnica.

O trecho escolhido apresentava pedras, obstáculos e algumas passagens mais rápidas.

A descida tinha aproximadamente dois minutos, segundo o relato do vídeo.

Nessas condições, o pneu precisa trabalhar junto com suspensão, geometria da bicicleta e técnica do ciclista.

A sensação durante o primeiro teste foi positiva.

Porém, houve uma observação importante:

a pressão dos pneus influencia muito o comportamento da bicicleta.

Durante o teste, a percepção foi de que a traseira estava escapando um pouco mais do que o esperado.

Isso pode estar relacionado à calibragem utilizada naquele treino.


A importância da calibragem dos pneus MTB

Esse é um ponto fundamental para quem está testando um novo pneu.

Não basta trocar o modelo.

A pressão também precisa ser ajustada.

Um mesmo pneu pode apresentar comportamentos bastante diferentes dependendo da calibragem.

Pressão muito alta pode comprometer:

  • Grip;
  • Conforto;
  • Capacidade de absorção;
  • Tração.

Já uma pressão muito baixa pode aumentar a sensação de instabilidade e elevar o risco de impactos no aro, dependendo do sistema utilizado e das condições do terreno.

Por isso, ao trocar de pneu, é interessante realizar vários testes antes de definir a calibragem definitiva.

No caso desse primeiro treino, a própria percepção de que a traseira estava escapando um pouco mais mostrou que ainda havia espaço para ajustar o setup.


Testando o conjunto em trechos de pedra

Outro teste importante foi realizado em uma região com bastante pedra.

O objetivo era perceber como o pneu se comportaria em um terreno mais agressivo.

Durante a passagem pelas pedras, o conjunto apresentou boa resposta.

O pneu dianteiro mostrou novamente a característica que mais chamou atenção durante o treino:

capacidade de encontrar grip e manter a trajetória.

Para uma mountain bike utilizada em trilhas técnicas, esse comportamento pode ser muito importante.


Maxxis Recon Race 2.4 vs Vittoria Barzo e Mezcal XC Race 2.4

A mudança não aconteceu de maneira aleatória.

A configuração anterior utilizava Maxxis Recon Race 2.4, que já estava na bicicleta havia aproximadamente dois anos.

O novo setup mantém a mesma largura de 2.4″, mas muda completamente a combinação entre dianteira e traseira.

Setup anterior

Maxxis Recon Race 2.4

Dianteira + traseira.

Novo setup

Vittoria Barzo XC Race 2.4

Dianteira.

Vittoria Mezcal XC Race 2.4

Traseira.

A proposta agora é trabalhar com dois pneus diferentes, cada um desempenhando uma função específica.


Por que usar pneus diferentes na frente e atrás?

Essa estratégia é bastante interessante para quem pratica mountain bike.

As rodas dianteira e traseira têm funções diferentes.

A dianteira é responsável principalmente pela direção e pelo controle da bicicleta.

Por isso, perder grip na frente pode ser especialmente perigoso.

Já a traseira precisa transmitir potência e manter tração, mas também precisa rolar com eficiência.

Por isso, utilizar um pneu mais agressivo na frente e um pneu mais rápido atrás pode criar um equilíbrio interessante.

No caso do setup testado:

Barzo → grip dianteiro

Mezcal → rolagem traseira


Vittoria Barzo e Mezcal para XCO e XCM

Uma combinação como essa pode ser especialmente interessante para quem participa de modalidades como:

  • XCO;
  • XCM;
  • Maratona MTB;
  • Trilhas técnicas;
  • Pedais de longa distância.

No XCO, o ciclista precisa lidar frequentemente com mudanças rápidas de terreno, curvas, pedras e trechos técnicos.

No XCM, além disso, a eficiência de rolagem ganha ainda mais importância devido à distância percorrida.

Por isso, equilibrar grip e velocidade pode ser uma estratégia interessante.


Primeiras impressões do novo setup Vittoria

Depois do primeiro treino, a avaliação foi positiva.

Pontos que mais chamaram atenção:

Grip dianteiro:
O Barzo apresentou excelente comportamento nos trechos de areia e terra fofa.

Estabilidade:
A frente da bicicleta permaneceu mais controlada nos trechos onde o terreno afundava.

Tração traseira:
O Mezcal apresentou bom comportamento na transmissão de potência.

Rolagem:
A configuração traseira foi escolhida justamente buscando uma característica mais rápida.

Terreno técnico:
O conjunto apresentou bom comportamento em pedras e trechos de trilha.


Ainda falta testar a durabilidade

Apesar das primeiras impressões positivas, existe uma questão que ainda precisa ser respondida:

quanto tempo o Barzo XC Race vai durar?

Esse é um dos próximos testes que pretendo realizar.

A preocupação está principalmente relacionada à durabilidade do pneu dianteiro.

A percepção é de que o Barzo possui uma construção mais delicada em determinadas regiões, especialmente na lateral.

Por isso, além de analisar o comportamento do pneu, será necessário acompanhar seu desgaste ao longo dos próximos treinos e competições.

Esse é um ponto que não pode ser respondido com apenas um pedal.


O novo setup está aprovado?

Depois do primeiro treino, a resposta foi:

sim.

O conjunto Vittoria Barzo XC Race 2.4 na dianteira + Vittoria Mezcal XC Race 2.4 na traseira foi aprovado nas primeiras impressões.

O principal destaque foi o comportamento do Barzo em terrenos de areia e terra fofa.

A dianteira permaneceu bastante controlada, oferecendo uma sensação maior de segurança.

Na traseira, o Mezcal entregou a proposta esperada de uma opção mais voltada para rolagem, mantendo também uma boa capacidade de tração.

Ainda assim, o teste está apenas começando.


Conclusão

A troca do Maxxis Recon Race 2.4 pelo conjunto Vittoria Barzo XC Race 2.4 + Mezcal XC Race 2.4 trouxe uma mudança perceptível para o comportamento da bicicleta.

A escolha de um pneu mais cravudo na dianteira mostrou vantagens principalmente nos trechos de areia e terra fofa, onde a estabilidade da frente fez diferença.

Na traseira, a opção pelo Mezcal teve como objetivo buscar maior velocidade de rolagem sem abrir mão da tração necessária para subir e acelerar.

O primeiro teste foi bastante positivo, mas ainda existem perguntas a responder.

A principal delas é a durabilidade do Barzo XC Race ao longo dos próximos treinos e competições.

Por isso, este não é o fim do teste.

É apenas o começo.

Agora é continuar pedalando, acumulando quilômetros e descobrindo como esse novo setup de pneus Vittoria vai se comportar em diferentes terrenos e condições.

E, como sempre no Bike Brasília:

bora pedalar, bora treinar, bora competir e bora ser feliz na bike! 🚵‍♂️


🎥 Assista ao teste dos pneus Vittoria

Quer ver como o conjunto Barzo + Mezcal XC Race 2.4 se comportou na prática?

No vídeo do Bike Brasília você acompanha o teste diretamente na trilha, incluindo os trechos de areia, pedras, subidas e descidas técnicas.

👉 Assista ao vídeo completo e veja as primeiras impressões do novo setup.


Perguntas frequentes sobre o setup Vittoria Barzo + Mezcal

Qual pneu Vittoria usar na dianteira da MTB?

Neste teste do Bike Brasília, foi utilizado o Vittoria Barzo XC Race 2.4 na dianteira, buscando maior grip e estabilidade em terrenos técnicos.

Qual pneu Vittoria usar na traseira?

O pneu utilizado na traseira foi o Vittoria Mezcal XC Race 2.4, escolhido por sua proposta de maior rolagem e velocidade.

Barzo e Mezcal combinam?

No teste realizado pelo Bike Brasília, a combinação apresentou bom resultado. O Barzo foi utilizado na dianteira para priorizar grip, enquanto o Mezcal foi utilizado atrás buscando equilíbrio entre tração e rolagem.

Qual a medida dos pneus utilizados?

Os dois pneus utilizados no teste têm medida 2.4″.

O Barzo é bom para areia?

No teste realizado, o Barzo apresentou comportamento bastante positivo em trechos de areia e terra fofa, mantendo a dianteira mais estável.

Barzo ou Mezcal na dianteira?

Neste setup, a escolha foi pelo Barzo na dianteira e Mezcal na traseira, priorizando grip na frente e rolagem atrás.

O novo setup é melhor que o Maxxis Recon Race?

O vídeo apresenta as primeiras impressões da troca, mas não permite afirmar de forma definitiva que um conjunto seja superior em todas as situações. O comportamento depende do terreno, pressão, peso do ciclista e estilo de pilotagem.

O Barzo XC Race é resistente?

A durabilidade ainda será avaliada nos próximos treinos e competições. O objetivo do Bike Brasília é acompanhar especialmente o desgaste do pneu dianteiro ao longo do uso.


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