A Brasil Ride Pirenópolis 2026 colocou o mountain bike diante de um dos cenários mais impressionantes do Centro-Oeste brasileiro. Pela primeira vez, a competição chegou a Pirenópolis, em Goiás, levando os atletas para um percurso marcado por trilhas técnicas, subidas duras, pedras, água, estradões e muita altimetria.
Eu estive presente para viver essa experiência de dentro da prova.
A primeira etapa foi um verdadeiro teste de resistência e estratégia. O percurso oficial da categoria MTB PRO tinha 70 km e 1.860 metros de altimetria, enquanto a segunda etapa, realizada no domingo, teria mais 50 km e 1.340 metros de ganho de elevação. No total, a prova de dois dias somou oficialmente 120 km e 3.200 metros de altimetria.
E posso adiantar: não foi simplesmente uma prova de mountain bike.
Foi uma experiência.
🚵♂️ Brasil Ride Pirenópolis: uma nova experiência para o MTB
A edição de 2026 marcou a chegada da Brasil Ride a Pirenópolis, Goiás, cidade histórica cercada pela Serra dos Pireneus.
A própria organização apresentou a etapa como uma combinação entre mountain bike, natureza, história e cultura, aproveitando as características da região para criar um evento diferente do formato tradicional da Brasil Ride.
O evento aconteceu entre os dias 21 e 23 de agosto de 2026, com entrega de kits na sexta-feira e duas etapas de competição para os atletas da MTB PRO no sábado e domingo.
Para mim, a sensação já começou antes mesmo da largada.
A cidade estava tomada por ciclistas.
Era gente chegando de diferentes lugares do Brasil, bikes por todos os lados e aquela atmosfera que só uma grande prova consegue criar.
📊 Como era a Brasil Ride Pirenópolis 2026?
A edição contou com diferentes formatos de participação.
MTB PRO
- 2 dias de competição
- 1ª etapa: 70 km / 1.860 m
- 2ª etapa: 50 km / 1.340 m
- Total: 120 km / 3.200 m
E-Bike PRO
O percurso da E-Bike PRO também foi estruturado em dois dias, com as mesmas distâncias e altimetrias oficiais da MTB PRO.
MTB SPORT
Para quem queria experimentar a experiência Brasil Ride em apenas um dia, a organização ofereceu a categoria MTB SPORT, com percurso de 50 km e 1.340 m de altimetria.
Além disso, a programação contou com categorias Kids e outras atividades relacionadas ao evento.
🏁 Largada da primeira etapa
5… 4… 3… 2… 1!
Largada dada.
A sensação é aquela conhecida por quem já participou de uma prova de MTB: nos primeiros quilômetros você tenta encontrar seu espaço, controlar a ansiedade e, principalmente, lembrar que ainda existe muita prova pela frente.
E esse último ponto era fundamental.
Eram quase 70 km de prova e quase 2.000 metros de altimetria.
Não dava para sair usando todo o motor logo nos primeiros quilômetros.
Minha estratégia era justamente essa: controlar o esforço e guardar energia para a segunda metade da prova.
🪨 Primeiros quilômetros: técnica logo de cara
Uma das primeiras características que chamou atenção foi a quantidade de trechos técnicos.
Pedra, curvas, trilhas estreitas e mudanças constantes de terreno.
Não era aquela prova em que você simplesmente coloca uma potência constante e deixa a bicicleta trabalhar.
Era necessário:
- Escolher linhas;
- Controlar a velocidade;
- Antecipar obstáculos;
- Ter cuidado nas pedras;
- Manter concentração;
- Evitar erros desnecessários.
Em alguns momentos, a sensação realmente era de estar fazendo XCO durante uma prova de maratona.
E isso muda completamente a estratégia.
🧗♂️ A famosa subida do Prefeito
E então apareceu um dos primeiros grandes desafios do percurso:
A subida do Prefeito.
Logo de cara ficou claro que não seria uma subida para brincar.
A inclinação apertava e o terreno tornava tudo ainda mais difícil.
Em alguns pontos, atletas precisavam descer da bicicleta e empurrar.
Eu mesmo quase tive que zerar um trecho.
A combinação de inclinação + terreno técnico transformava cada metro em uma disputa contra a própria bicicleta.
Foi aquele tipo de subida que faz você pensar:
“O prefeito vai ouvir falar dessa prova por muito tempo.”
Depois de vencer a subida, finalmente veio um pouco de descida.
E aí apareceu uma das melhores partes do MTB:
flow.
🌳 Pedra, água e paisagens de Pirenópolis
Se a prova estava difícil, o cenário compensava.
Pirenópolis entregou exatamente aquilo que se espera de uma prova de mountain bike no Cerrado:
- Mata;
- Pedras;
- Córregos;
- Trilhas;
- Sombra;
- Cenários naturais impressionantes.
Em determinado momento, passei por um trecho com água e simplesmente pensei:
isso aqui só pode ser Pirenópolis.
A prova conseguia misturar dificuldade física com uma paisagem que fazia valer a pena cada subida.
🤝 Quando a competição encontra os amigos
Uma das coisas mais legais de uma prova como a Brasil Ride é que você não encontra apenas adversários.
Você encontra amigos.
E, em determinados momentos, até aqueles atletas que serviram de inspiração quando você começou a pedalar.
Durante a prova encontrei o Trombeta, uma referência para mim desde o início da minha trajetória no ciclismo.
É aquele tipo de encontro rápido durante uma competição que ajuda a lembrar que, além do resultado, existe uma comunidade inteira por trás do esporte.
🛣️ Quilômetro 27: hora de respirar
Depois de uma sequência pesada de trilhas técnicas, cheguei aproximadamente ao quilômetro 27.
O cenário mudou.
Saí das trilhas mais técnicas e entrei em um estradão de aproximadamente 10 km.
Foi uma oportunidade para:
- Recuperar um pouco;
- Organizar a alimentação;
- Controlar a potência;
- Reavaliar a estratégia.
Porque a Brasil Ride tem exatamente essa característica:
tem de sal e tem de doce.
Uma hora você está enfrentando uma trilha técnica.
Pouco depois está em um estradão.
E logo depois volta para uma sequência de subidas.
🥤 Primeiro ponto de apoio: quilômetro 37
Por volta do quilômetro 37 apareceu o primeiro ponto de apoio.
Depois de aproximadamente 10 km de estradão, era hora de abastecer.
Água, alimentação e aquela tradicional Coca-Cola que, no meio de uma prova longa, parece ter outro sabor.
O objetivo não era parar por muito tempo.
Era abastecer e continuar.
Porque ainda havia muita prova pela frente.
⛰️ De volta às trilhas: agora começa a ficar sério
Depois do primeiro apoio, o percurso voltou para as trilhas.
E vieram mais subidas.
Nesse momento, a estratégia de controlar o ritmo começou a fazer ainda mais sentido.
Eu estava tentando manter o esforço principalmente em Z2 e Z3, evitando ficar constantemente no limite.
A ideia era simples:
não gastar o motor da maratona antes da hora.
Em uma prova de dois dias, cada decisão importa.
Não era apenas terminar bem a primeira etapa.
Era terminar a primeira etapa com energia suficiente para encarar os 50 km do segundo dia.
🏞️ Dentro do Parque dos Pireneus
Com aproximadamente 50 km acumulados, a prova entrou em uma região ainda mais especial.
Estávamos dentro do Parque dos Pireneus.
Nesse momento, o relógio já marcava aproximadamente três horas de prova.
O corpo começava a sentir.
Mas o cenário fazia você continuar.
E existe uma reflexão que ficou muito forte durante o pedal:
poder estar ali, com saúde, pedalando e vivendo aquilo já era uma vitória.
No meio de uma prova difícil, é fácil pensar apenas em tempo, potência, posição e resultado.
Mas basta olhar ao redor para perceber o privilégio de poder estar em cima de uma bicicleta vivendo uma experiência dessas.
🧠 Estratégia: guardar energia para o final
Entre os quilômetros 50 e 55, continuei controlando o esforço.
A prioridade era não transformar cada subida em uma disputa.
Isso é especialmente importante em uma prova por etapas.
A Brasil Ride não termina na primeira linha de chegada.
Ainda existia o segundo dia.
Por isso, a estratégia era:
ritmo sustentável agora para conseguir competir amanhã.
🥤 Último ponto de apoio
O último ponto de apoio da etapa era fundamental.
Era hora de abastecer novamente antes da parte decisiva do percurso.
Peguei água, alimentação e, claro, mais uma Coca-Cola.
A sensação naquele momento era quase de ressuscitação.
Depois de dezenas de quilômetros de trilha e subida, um ponto de apoio bem colocado faz muita diferença.
Mas a partir dali não era mais hora de economizar tanto.
O trecho entre aproximadamente os quilômetros 55 e 65 exigiria atenção especial.
⏱️ O corte de tempo no quilômetro 65
Esse era um dos pontos mais importantes da etapa.
No quilômetro 65 estava o corte de tempo, antes da chegada à arena.
Por isso, a estratégia utilizada durante toda a prova tinha um objetivo:
chegar ao trecho decisivo ainda com energia.
Depois de aproximadamente 3 horas e 30 minutos de prova, consegui passar pelo corte.
No meu registro, foram cerca de 65 km em 3h33, enquanto a distância total registrada no pedal ficou próxima dos 70 km.
Missão cumprida.
🏁 Linha de chegada: primeira etapa concluída
Depois do corte, restava chegar à arena.
E aquele momento em que você finalmente cruza o pórtico tem um significado diferente.
A primeira etapa estava concluída.
A organização montou uma estrutura de chegada com hidratação, banheiros e serviços para os atletas. A programação oficial também previa Bike Wash e suporte mecânico durante o evento.
Depois de toda aquela trilha, pedra e subida, era hora de respirar.
Brasil Ride Pirenópolis: primeira etapa concluída.
📊 Meu resultado na primeira etapa
A estratégia funcionou.
Meu objetivo não era simplesmente sair fazendo a primeira etapa no máximo.
Era terminar bem e conservar energia para o segundo dia.
Meu registro da etapa:
- 🚵 Distância: aproximadamente 70 km
- ⏱️ Tempo: aproximadamente 3h30
- 🏔️ Percurso com muita altimetria e trechos técnicos
- ⚡ Estratégia: Z2/Z3 na maior parte da prova
- 🧠 Prioridade: preservar energia para a segunda etapa
Já os números oficiais da organização para a MTB PRO foram 70 km e 1.860 m de altimetria.
🔥 O que aprendi na 1ª etapa da Brasil Ride Pirenópolis
Depois de viver o percurso, algumas lições ficaram muito claras.
1. Não subestime Pirenópolis
A paisagem pode ser bonita, mas o percurso cobra muito.
Pedras, subidas técnicas e mudanças constantes de terreno exigem preparo.
2. Não gaste tudo no começo
Em uma prova por etapas, controlar o esforço é fundamental.
A segunda etapa já está esperando.
3. Técnica é tão importante quanto potência
Em alguns trechos, não adiantava ter força.
Era necessário saber escolher a linha e controlar a bicicleta.
4. Alimentação faz parte da estratégia
Os pontos de apoio são fundamentais, mas você precisa chegar preparado até eles.
5. Aproveite o cenário
A Brasil Ride é competição.
Mas também é uma oportunidade de conhecer lugares incríveis sobre duas rodas.
🚵♂️ Brasil Ride Pirenópolis vale a pena?
Depois da primeira etapa, minha resposta é:
sim.
Pirenópolis conseguiu entregar uma experiência muito completa de mountain bike.
A própria Brasil Ride destacou a combinação entre as trilhas da Serra dos Pireneus, a natureza, a história e a cultura da cidade como parte central da experiência.
Para quem gosta de MTB, é difícil não se empolgar com uma prova que mistura:
- Trilha técnica;
- Subidas duras;
- Estradões;
- Córregos;
- Pedra;
- Flow;
- Paisagens;
- Competição;
- E muita resenha entre ciclistas.
🎥 Assista ao race report da primeira etapa
Toda essa experiência foi registrada no canal Bike Brasília.
No vídeo, você acompanha a prova de dentro da trilha, desde a largada até a chegada, passando pela subida do Prefeito, pontos de apoio, Parque dos Pireneus, trechos técnicos e o corte de tempo.
👉 Se você quer saber como realmente é pedalar uma Brasil Ride, vale acompanhar o percurso na prática.
🏆 E ainda tinha o segundo dia…
A primeira etapa terminou.
Mas a Brasil Ride Pirenópolis ainda não.
Para a MTB PRO, o domingo reservava mais 50 km e 1.340 metros de altimetria, completando os 120 km e 3.200 metros oficiais da competição de dois dias.
Ou seja:
descansar, recuperar e voltar para a largada.
Porque em uma prova por etapas, cruzar a primeira linha de chegada é apenas metade da história.
🚵♂️ Bora para a segunda etapa!

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